Conheça as bibliotecas de São Paulo

Um filme de Cris Costa sobre as bibliotecas públicas de São Paulo. Eu participo contando a minha relação histórica com a Erico Verissimo, localizada na minha comunidade, periferia zona noroeste da cidade.

Assista, conheça o trabalho da nossa gente batalhadora que busca um Brasil melhor e digno para todes:

 

Outra Realidade nas bibliotecas públicas

Escrevo desde os doze anos de vida. Quando comecei a escrever, eu nem sabia que aqueles textos eram poesias. Poesias de um coração marginal. Eu soube o que era poesia pouco tempos depois, na escola, quando xs professorxs de português me estimulavam a escrever.

Um índio gay oriundo numa tacanha e importante periferia da maior cidade do imenso Brasil: a periculosa Taipas, localizada no arranha-céu da noroeste megalópole. Tenho sorte de ter nascido aqui. Tenho mania de achar ter sorte por simplesmente ter nascido e sentir o que sinto.

Deserdado pelos amigos da infância, o meu afeto foi transferido para a fauna, flora e seres que buscam mais do que meras aventuras no existir. A poesia me fez observar melhor a existência de tudo; questionar sem medos; cidadão crítico; pensante e realizador. Meu livro de poesias chegou nas bibliotecas públicas:

DSC05464

Acredito fielmente que somos todxs guerreirxs. O que nos diferencia são as nossas lutas.

Poesias são gotas de luzes capazes de lavar até a alma da gente! A única coisa mais potente são banhos em cachoeiras desertas.

 

Diego Rbor

Dê Pressão!

Babilônia nata
Babilônia mata

Paga carro pra sobreviver
Paga caro pra morrer

Esse povo é top:

Quanto custa cada quadrado?
Quanto peso tem seu concreto?

Não posso plantar a erva
em meu terreno
Porque o bico sujo dedura
o mato que me cura

O mato cura! Continue lendo “Dê Pressão!”

Somos Muitxs

Quando comecei a escrever, com doze anos de vida, eu não sabia que aqueles textos eram poesias marginais. Um dia, furiosa e sem valorizar arte na vida, minha mãe me puxou no médico afirmando que eu estava doente por não querer sair do quarto, escrevendo. O armário começou a fechar aí. Nas excursões escolares eu raramente podia ir, pois não tinha grana pra pagar, mas em parques de diversão meus amiguinhos faziam rateio e quando dava eu ia. Um dia, numa excursão que a escola fez à Pinacoteca de São Paulo, fiquei de fora. E sem internet eu ficava imaginando como seria a Pinacoteca. Mente pe ri fé ri ca é osso, mas depois que se abre, não volta a seu tamanho original.

Dois mil e dezenove está sendo um ano testador de resistências artísticas e culturais:  O país empobreceu, em quase todos os sentidos. Mas na arte a lama vale ouro! Continue lendo “Somos Muitxs”

Rubi 7

Bom dia Estação inverno vozes meus passos velozes e os meus olhos ferozes atravessam a cidade trens trilhos ruídos altos muros fortes grades grandes grafites caixas de eletricidade fios passarela escada Estação casa ponte parque rio cargas carcaças postes andaime trator fumaça vapor estação asfalto plantas madeira pedras carros fixos lixos portão fluxo luxo felino papelão bilhete Estação placas canos ferros caídos buraco tubo areia túnel árvore fogueira passagem sacos iluminadores pilhas corrente frio e sol até a Continue lendo “Rubi 7”

Borges Lagoa

Filas de automóveis nas avenidas. Ocos pilhados estão em transe
Félas que se movem, mas não se comovem
Trânsito principalmente nos pensamentos
e infelizmente nada de imaginação 
Enquanto isso a Juca Mulato emerge a paz,
inda oito da manhã
Valor do tempo percebe quem é audaz,
voa para o sagaz
num mundo onde preço versus valor das coisas,
isto me corrói a mente e aproxima de um cais
Contudo luto até no luto deste país sem conjunto
Apesar de achar aqui tão lindo, lindo demais
…Tirando tudo o que é cinza;
Todas as cores só, eu não gosto;
Vim das misturas de Deus;
E sou cruel comigo,
mas fiel, respeitoso e honesto
Da vida, sou outro artífice,
que envergonha caretice,
choco burrice
entedio tolice
sem pegar em armas, fuck the police
outros venenos que lesionam raciocínios da cidade
O meu território é o conhecimento
O meu arsenal é você, atento
Pensaram que eu não duraria e quiseram me arrastar,
mas aprendi com Marina dançar conforme a lei do ar
Tudo aquilo que tentou me atrasar
descobriu em seu fim que eu sou o meu maior perdurar
Certos artistas me apontam pra tempos que podem durar.

(Diego Rbor)

 A ARTE LIBERTA! ® 2016.2018 Todos os direitos reservados © diego rbor