funcionários e desempregados

Boa tarde, batalhadora, batalhador, peço que me leia, serei breve, por favor
Trabalhador, já fui ofice-boy, estoquista, auxiliar, estagiário, vendedor…
Hoje sou um escritor, ganho a vida refletindo em literaturas; Poesia é minha maneira de vencer a dor

Trabalhadores, somos todos guerreiras e guerreiros, e o que nos diferencia são as nossas lutas nas variadas labutas do existir
Estou aqui te convidando para comigo refletir
E encorajar os nossos sonhos em cada decisão
Somos brasileiras e brasileiros, aqui não é um país de formar patrão…
Empregados são tratados como tapados, vendados, obturados
E não é para isto que fomos criados, a vida não nos fez para sermos tirados de otários
Temos ciência, sapiência, paciência e consciência
Não deixe seu salário manipular a sua competência
“Se tens um sonho, foque e seja
Se tens um dom, invista, proteja” – É o que a Luz me diz

Os mais ‘ricos’ do que nós, não querem nos ver tão ricos quanto eles
Eles pensam que nossas famílias, pobres, não merecem as felicidades existentes

Enquanto nós trabalhadores, sabemos mais sobre merecimentos
Construímos casas, barracos, favelas, carregamos os cimentos
Políticos de direita usam, nós, pobres como se fossemos jumentos
Nas rachaduras dessa sociedade candura que ainda quer a volta da ditadura
Para matar ainda mais os sonhos de muitos de nós, pobres de alma dura
Eu não aguento mais tanta injustiça!

A humildade me ensinou a pegar na terra e a plantar
A humildade me faz entender que não preciso só comprar, comprar, comprar
Está tudo na terra, esta que os ricos insistem em nos tirar
Está tudo na água, esta que políticos insistem em privatizar
Não podemos deixar! Não podemos tolerar!
Ou levantamos a cabeça ou eles irão nos ceifar
Assim como fizeram com os nossos ancestrais
Há pouco mais de 500 anos atrás

Estamos no segundo semestre de um 2020 pandêmico:
Os 42 bilionários do Brasil aumentaram a própria riqueza em 27 POR CENTO durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos
Às custas de nós, pobres
Do nosso esforço competente em enriquecer presidente branco que nem liga pra gente, mas liga pros ricos e milionários brancos
Enquanto alguém achar normal o branco cada vez mais rico e o preto cada vez mais pobre, tudo vai piorar

Estamos numa crise criada pelos ricos, brancos, em suas viagens e banquetes nojentos, caros!
Não respeitam nem os animais, imagine os nossos ancestrais vermelhos!

Por isto escrevo, pois espero nos unir um dia, caro trabalhador e cara trabalhadora
Porque se hoje eu escrevo é porque tive um professor, uma professora
Se hoje escrevo é porque fui parido, cuidado ao lado de um povo sofrido
E não quero que a gente morra sem ter no mínimo evoluído

Que seja em comunhão

Agradeço pelo seu tempo em me ler
Conte comigo rumo à revolução.

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Diego Rbor

fdp
® f.t.p.

Pandêmico: Coração Devedor

Nasci num bairro vasto que já foi pasto. Onde aos poucos o povo foi ocupando, para lá se mudando. Antes de mim lutaram muito por direitos: moradia, saneamento, asfalto, hospital, educação, biblioteca, transporte, alimentos. Um lugar onde a política e a mídia foram os últimos a chegar. Nasci numa periferia que demorou para ser chamada de lar. E tenho apenas trinta e dois anos de vida. Mas me dói ver numa quebrada ‘evoluída’, gente que apoia fascista que nesta mesma gente pisa. Me dói ver os ponto de ônibus lotado por gente batalhadora que vota nos Dória helicópterousado. Dói ver meu povo trabalhador votar num fascista fazedor de robô. E não posso nem julgar o atraso nisso tudo, pois tive uma mãe branca que contribuiu como pôde para bancar meus estudo, aos trancos e barrancos ela se responsabilizou. Lembro de colegas que nem mãe tinham, quanto mais valor de um professor. Um dia, numa aula de biologia, a professora mandou abrir o livro, muitos de nós nem tinha: “Porra, numa escola pública, pagar por material é súplica…”. Fazer trabalho em dois é boi, em três é uma furada! …Sempre ficava de fora, não era bom exemplo na escola de esquema dita dura; eu era uma bixa pobre ao relento, que não abaixava a cabela fácil pro tormento; fiquei de várias recuperação, e janeiro era sem recreio; ia de cabeça erguida porque quase nem tinha gente no meio, da sala. Pelo menos eu respeitava as professora, que tinham para mim o mesmo valor que uma doutora, vai ver por isso nunca repeti de ano; meu bom dia, minha gratidão e meu perdão sempre me passaram pano! Mulher na minha vida é a maior verdade: Minha mãe umbandista; meu pai suicida; meu avô um racista; e o mundo um vigarista que tentou me esconder de minhas próprias vistas.
Deus é uma irmã negra que teve piedade: me mostrou Caetano, Timbalada, Daniela Mercury, Marisa de verdade e também Ivete… tive aula de axés! Vi e ouvi o maracatu em ‘A Indomada’ quando pivete, e ainda menino, em Zazá, me apaixonei pela voz Fullgás de Marina, antes de saber quem era ela; foi numa música de novela. Eu nem sabia o que era arte! Aos 10 anos de idade, arte, para mim, era o que Ivone fazia: Me ensinou a ler nas pichações da cidade-aldeia. São Paulo é mata que incendeia. Cada vez mais cheia, os morros morrem nas mãos da polícia que a faz de recheio da ceia natalina.

É tempo de ano novo: pandemia fez de dois mil e vinte um mundo ciclo renovo; não dá pra ser o mesmo neste ovo; é preciso amor pela rebeldia e assim sairmos ilesos; nós, que somos cria da periferia, temos que nos unir aos indígenas coesos; à força da nossa ancestralidade ligada e conectada aos estupros de nossas bisavós, caladas, que hoje gritam em energias latentes no nosso peito aceso.
Não seremos frágeis leitos mortos pela polimilícia de um estado estuprado procriado sangrento.

Devemos fogo no fascismo racismo preconceito.

 

Diego Rbor