Maria Isabel

“Maria Isabel vive longe daqui… E lá, nem a internet a alcançou ainda.
Nos comunicamos por memórias e através de cartas.
Sim, por cartas e lembranças.
Há trinta e cinco anos enviamos cartas uma pra outra!
Há trinta e cinco anos eu não a vejo, minha melhor amiga desde criança… Continue lendo “Maria Isabel”

Apenas Ser

As piscinas de bolinhas me fazem
Querer voltar a ser criança
Quando as vejo, lembro
Daquele pobre menino alegre
Privilegiado por ser sonhador
Não gostava de entrar em problemas e Continue lendo “Apenas Ser”

Me trague e viva

Quanto mais a gente lê, mais compreensivo e esperto a gente se torna.
E ler é de tudo! Ler diversos poetas e suas maneiras de escrita. Ler palavra nunca antes lida é aprender e possivelmente se reinventar.
Sei ler de tudo para que tudo possa me ler; Paredes e gramas; Homens, mulheres e animais.
Arame e seda, leio Cecília Meireles e vejo em mim a criatura descobrindo o mundo.
Acácia Gomes trocou a dor por inspiração e retirou um véu dos olhos meus.
Larissa Cordeiro me aponta a zona periférica como só ela sabe apresentar aos seres vivos.
Gosto de poesia… E toda poesia é marginal se criada no meio da treva almada encharcada.

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A.M.E. (Que Bom Foi Resistir)

Que bom foi resistir…

As goteiras são a própria chuva a renovar este lar
de discos no alto tal qual as estrelas do céu
Pranchas que me relembram altas aventuras no mar
Tambores preenchem o silêncio do peito teu

Somos um bloco com pegada de escola
Quem te recebe é o Zeca, o Bob e o Cartola
E uma gente simples
Liberta pela arte que no coração bateu

No carnaval, precisa ver a magia no ar… Continue lendo “A.M.E. (Que Bom Foi Resistir)”

Cena Constante

Eu sou Maria
Tenho quarenta e oito ano
Viúva e mãe de cinco cria
Trabaio desde os dez ano
Há dezesseis sou faxineira e diarista
E me orgulho desta vida vigarista!
Sozinha, cada fi crescido meu foi pra um lado
Sozinha não; Deus é sagrado!
Já fui usada, roubada, humilhada, mas insisti
Terminei a escola ano passado;
Eu resisti
Pouco do que tenho muito soei
Aprendi a ganhar quando me doei
Triste mesmo foi ver o Orácio
O mais véio, de vinte e sete Continue lendo “Cena Constante”

Rubi 7

Bom dia Estação inverno vozes meus passos velozes e os meus olhos ferozes atravessam a cidade trens trilhos ruídos altos muros fortes grades grandes grafites caixas de eletricidade fios passarela escada Estação casa ponte parque rio cargas carcaças postes andaime trator fumaça vapor estação asfalto plantas madeira pedras carros fixos lixos portão fluxo luxo felino papelão bilhete Estação placas canos ferros caídos buraco tubo areia túnel árvore fogueira passagem sacos iluminadores pilhas corrente frio e sol até a Continue lendo “Rubi 7”

sobre cor

Preto, branco, amarelo, marrom…
é tudo ilusão!
Desilusão de ótica
De quem muito fala mas pouco enxerga
o vermelho sangue que bomba
versus veneno branco que seca
Há vários tons para uma cor
Dentro de nós percorre o vermelho
Que pulsa o amor
não sente peso e nem predomina cor
Cada cor precisa de outra
Cada ser precisa de outro
Você se importa com a cor
até lhe faltar amor
Solidão é só poeira
Poeira de preconceito
Preconceito é dor sem compaixão!
Faça uma conexão:
Tão lindas todas as noites
Tão elegante todo black-tie
Preta é a pele do mundo ao redor do planeta, cores depois!
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UNA Flama

Que não pensa duas vezes e dá um jeito nas coisas. Se enfeita depois sai pra ver a lua. Chora e sorri. Despe-se de nós, corre e fica nua, se entrega e diz ser tua. O que você quiser: Homem, mulher… Continue lendo “UNA Flama”

Carnificina Brasis

vitimas do escárnio da polícia brasileira
MATA MATA MATA MATA MATA
depois questiona o dono das tais digitais
BANG BANG BANG BANG BANG BANG
mundo acaba em fogo: atingidos pelas balas
Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão
com marcas de sangue pisado pelo rato cinza ladrão
de vida, morte e vida, dormir e acordar, acordar e ir Continue lendo “Carnificina Brasis”