Enrustidos Não Passarão

Há uns dias atrás, passando pela rua com meu namorado, trombei dois distantes colegas meus aqui do bairro, um deles eu não via a muito. Cumprimentei-os com um salve ligeiro, eu e meu amor. Apenas um deles nos saudou, até aí tudo bem, ninguém é obrigadx a responder uma saudação. Mas após alguns passos adiante, ouvi o outro (o que eu não via a muito), dizer em alto e bom tom: “…Eu não! Jamais eu falo com viado!“.

Demorou mais alguns passos para cair a ficha do que escutamos. Parei. Continue lendo “Enrustidos Não Passarão”

Segredo

Já tive vergonha de dizer que sou da favela
Já tive vergonha de me aceitar e respeitar como gay
Tive vergonha de dizer o quanto sentia fome
Tive vergonha de afirmar que pra religião eu caguei

Vergonha do meu vocabulário
e da minha voz estranha pra caralho

Senti vergonha até da minha vergonha
e de escrever cartas de amor para quem amo

Já tive vergonha dos meus antepassados Continue lendo “Segredo”

Nóis MatheusA

Gosto de acordar cedo, e na suavidade da minha manhã transar gostoso e preparar o café, depois preparar as labutas. Mas hoje eu acordei com uma notícia que me fez perder o tesão, mas não a força. Ao invés de transar e tomar café pra depois trabalhar, eu vim escrever antes das batalhas…. Continue lendo “Nóis MatheusA”

animal

certo corpo me prende o olhar dos pés à cabeça & boca bunda voz olhos de acanhar, aguça-me ganha & arreganha-me sagaz adivinhando bem capaz de me render prender suar molhar cueca óculos pêlos e pintas, vestido desejo nos despir, amor impetuoso ensejo atenção, como dizer não; qual cheiro terá o corpo desse ar doce tal qual pensa o meu imaginar e esse formato seu, tão meu, que também almeja me tocar, que o arrepio viva poço de sentidos em sedução sudorese sangue saliva olfato apurando tesão & pura compaixão, pelos poros através do límbico em cada gota de líquido que rola dos olhos nariz e na minha rosada rola a gozar em temperança dentro tuas entranhas de quatro me observando; lábios a morder ao lembrar você me foder lamber meu fogo arde chama incendeia e não te queima; duas espadas numa luta crucial animal e racional.

 

diego rbor ®©