Livro Sem Fim

Um dia, passando as férias escolares na casa de meus avós maternos, no Jardim Peri, acabei me desentendendo com uma prima de terceiro grau que eu mal conhecia (coisa de crianças pré aborrecentes) e de noite recebi o seu telefonema, furiosa, do outro lado da linha me contou um segredo de família que eu não sabia, ela disse: “BIXA, VOCÊ É ADOTADO!”. Continue lendo “Livro Sem Fim”

Somos Muitxs

Quando comecei a escrever, com doze anos de vida, eu não sabia que aqueles textos eram poesias marginais. Um dia, furiosa e sem valorizar arte na vida, minha mãe me puxou no médico afirmando que eu estava doente por não querer sair do quarto, escrevendo. O armário começou a fechar aí. Nas excursões escolares eu raramente podia ir, pois não tinha grana pra pagar, mas em parques de diversão meus amiguinhos faziam rateio e quando dava eu ia. Um dia, numa excursão que a escola fez à Pinacoteca de São Paulo, fiquei de fora. E sem internet eu ficava imaginando como seria a Pinacoteca. Mente pe ri fé ri ca é osso, mas depois que se abre, não volta a seu tamanho original.

Dois mil e dezenove está sendo um ano testador de resistências artísticas e culturais:  O país empobreceu, em quase todos os sentidos. Mas na arte a lama vale ouro! Continue lendo “Somos Muitxs”

O Circo do Terror

É muito difícil libertar um povo que vota para ser escravo. Um povo sem memória de sua própria história. Um povo que nem sabe o nome de seus bisavôs e bisavós; Como, quando e porquê partiram. Um povo laico que não compreende a própria cultura e até pensa que não tem cultura. Um povo 46% crente num Deus egocêntrico e charlatão que, ao invés de pacificar, toca o terror nas minorias. Continue lendo “O Circo do Terror”

renascente

Sei que já chateei alguns corações e não sinto orgulho disso.
O meu melhor está dentro de mim, assim como o meu pior. Se faço o bem, fico bem; Se faço o mal, fico péssimo.
O peso da maldade é insuportável. Então fui esvaziando o que não é luz na minha bagagem.
Sobrou espaço e tempo para focar e fazer somente o bem, porque o bem é leve e não se cansa de si.
A grande sacada é quando a gente aprende que poesia e consciência é tudo. Pra ela ser leve não deve haver o peso de mentiras, maldizeres, calúnias e destruições.

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Me trague e viva

Quanto mais a gente lê, mais compreensivo e esperto a gente se torna.
E ler é de tudo! Ler diversos poetas e suas maneiras de escrita. Ler palavra nunca antes lida é aprender e possivelmente se reinventar.
Sei ler de tudo para que tudo possa me ler; Paredes e gramas; Homens, mulheres e animais.
Arame e seda, leio Cecília Meireles e vejo em mim a criatura descobrindo o mundo.
Acácia Gomes trocou a dor por inspiração e retirou um véu dos olhos meus.
Larissa Cordeiro me aponta a zona periférica como só ela sabe apresentar aos seres vivos.
Gosto de poesia… E toda poesia é marginal se criada no meio da treva almada encharcada.

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Dêgo (Para minha avó)

Minha amada avó, hoje é sábado, dia de paz no meu universo. Como a senhora bem sabe, sábados me lembram você. Porque a minha infância quase toda foi assim: acordar cedinho para passar o fim de semana ao teu lado e do vô. Dona Vanda tornou nosso encontro tão natural que é cultural para mim: netos mais próximos de suas avós e de seus avôs. Continue lendo “Dêgo (Para minha avó)”