Mudança

Vim morar no litoral há pouco tempo, uns 2 meses. Eu, Nerinho e o Billy, cãopanheiro há 10 anos. Num apartamento de minha guerreira mãe, que estava vazio. Atualmente ela vive com suas irmãs na casa em que cresceram, onde por vontade própria decidiram morar juntas, sempre foram unidas, e hoje são todas viúvas.

Desde que cheguei por estas bandas litorâneas, comecei a focar melhor nas coisas que acredito. Apesar de ter deixado a periferia por tempo indeterminado, a periferia não sai de mim, permaneço ajudando algumas ONGs.
A kabbalah me ensina a ajudar o mundo, seja através das vibrações em meditações, seja nas ações de compartilhar, financeiramente, o quanto posso, e através das criações artísticas, pois engajam outros olhos à criar. Sei da minha missão no mundo e trabalho para este propósito.

Compartilhar é uma ação essência de almas acesas. Me sinto aceso, apesar da pandemia.

Estar aceso é ter certezas boas. Isso acontece quando aprendemos a dar atenção para os bons pensamentos, palavras e ações. É uma tarefa desafiadora!

Aqui, no litoral, de um lado vejo o mar; do outro montanhas bem altas e verdes. Tem dia que as nuvens cobrem do topo até a metade. Vista de um prédio ‘vazio’, com poucos vizinhos, o silêncio faz ressoar o som das ondas e ventanias que abraçam coqueiros; o bebedouro do beija-flor contém água aromatizada com o pó das flores, toda hora passarinhos vem nos visitar e bebem, bebem, saltitam entre a janela e o varal.

Fizemos amizade com uma vizinha, a Sônia, do bloco ao lado, maravilhosa! Sorriu pra nós da janela… Sorrisos são poderosos como arco-íris! Sempre tomamos chás juntes, ela mora sozinha e disse que muito ganhou com a nossa amizade. Nas raras vezes em que vamos ao mercado, mascaradas e tomando todo cuidado, nos divertimos e conversamos muito. Somos uma nova família formada no meio de uma pandemia mundial. Você imagina o valor disso?

As ruas aqui são mais vazias, e o povo aprecia andar de bicicleta, inclusive o padeiro. Há carros de vendedores de mandiocas, de pamonhas, frutas, ovos, camarão… O primeiro a nos acordar durante a semana é o padeiro.

A tv de tubo fica o dia inteiro desligada. Tenho criado filmes poéticos pro meu canal no youtube e também tocado mais kalimba, criei duas musiquinhas envolvidas em poesias que escrevi recentemente. Faço encontros literários pelo instagram e sempre mostro alguma poesia ao som da kalimba. Me deixa leve.

Outra coisa que me deixa leve são os chás que eu trouxe da Jupter Store, eita chás e escalda pés poderosos os dela! Nerinho e eu adoramos e sempre tomamos/usamos. Dividimos o chá com a nossa vizinha Sônia, que também adorou! Inclusive ela estava querendo parar de comer carnes, e após conhecer eu e Nerinho, está conseguindo. Mostramos a ela o poder da proteína de soja no meu tempero, ela nos apresentou um pequeno comércio que vende alimentos 100% naturais, formamos quase um casamento! rs

Revelamos o poder da meditação… meditamos juntes por horas ao longo da semana. Inclusive comecei um curso de cabala muito bom, que vai durar 8 segundas-feiras. Da primeira aula pra cá senti um resultado promissor.

Estamos mais conectados com as plantas. Iniciaremos, semana que vem, um curso online sobre fitoenergia.

Ainda não tocamos o pé na areia da praia, muito menos no mar. Sentimos que haverá o momento certo disso acontecer. Respeitamos a lei da natureza porque dependemos dela para sobreviver. Apenas a admiramos.

Sentimos falta de nossas parentes, amigas, amigos e pessoas queridas. Sônia também sente saudade de suas filhas e netas, e nessa mistura de saudades a gente se abraça e observa. Aprendemos que o pensamento focado no melhor de quem amamos é uma maneira de aliviar a saudade antes do abraço.

Não sei quanto tempo vai durar esta pandemia, mas sei que o Diego que está se transformando quer durar a vida inteira para merecer o melhor que este mundo tem a oferecer.

Que seja Luz!

 

.

Diego Rbor

Samambaia

Há pouco mais de um ano, caminhando pela avenida São João, quase ao cruzar com a Ipiranga, eu e meu namorado notamos, a poucos metros, uma samambaia pendurada numa árvore, na calçada. Um morador de rua que passava deu um tapa na planta quase fazendo-a cair no chão e foi embora.

Chegamos na frente da planta, olhamos ao redor, olhamos pra cima para saber se alguém havia deixado ela ali momentaneamente, mas aparentemente ela havia sido abandonada. Estava desnutrida, com poucas folhas e um verde bem apagado.

Resolvemos levá-la pra casa para cuidar dela. Ato herança da Ivone. Pensamos nela e em seu amor pelas plantas… Subimos no ônibus de volta pra casa com a planta no colo!

Chegamos em casa felizes com a possibilidade de cuidado; cortamos as folhas manchadas e regamos pouco a pouco. Descobrimos que as samambaias gostam da água do arroz, e toda vez que fazemos arroz em casa, alimentamos ela com a água escorrida do arroz lavado.

Com o passar do tempo nasceram folhas novas, ela começou a se encher de vida saudável, e nós ficamos irradiantes com o brilho de sua folhagem.

Ontem, dia 06/04/2020, percebi que a planta está pronta pra sair de casa. Eu e Nerinho levamos ela para o jardim do prédio onde moramos, e lá, rodeada por árvores e outras plantas, ela parece estar bem feliz com o novo destino… Acabei de levar a água do arroz pra alimentá-la e percebi que o céu promete chuva.

Esta quarentena me faz refletir sobre liberdade.

O porquinho da índia que está aqui, resgatado, futuramente ganhará um lar no sítio da família de uma amiga nossa. E se tivéssemos pássaros em casa, daríamos o gosto da liberdade para ele/a.

_

Estou triste com o que está ocorrendo com o mundo, mas algo me diz que é uma mudança boa pra gente que faz mudanças… E estas ações de libertar vidas é um alimento à nossa própria liberdade, que anda tão limitada nestes dias atuais.

Vi a planta abraçar a árvore que a sustentou e senti uma saudade gigante das minhas amigas e amigos, de minha família, e torço para que a Luz de Deus elimine do mundo todo o caos e assim a gente possa se enxergar melhor, com mais amor. Temos tempo de transformar e melhorar-nos!

É hora de libertarmos as vidas que nasceram pra liberdade e assim a Luz vai nos libertar aos poucos.

Nada é por acaso.

 

Diego Rbor.

O Primeiro Livro Que Me Levou

O primeiro livro que me levou foi O Pequeno Príncipe. Quando criança peguei emprestado na biblioteca pública municipal Erico Verissimo e demorou muito para eu devolver. Tomei multas por isso, mas naquela ocasião eu não me importava, só queria ‘ler’. De tanto andar com o livro a capa detonou e então o ‘ganhei’ de presente.

Eu não sabia ler muito bem… lia com dificuldades e sozinho. Cada letra juntada, palavra lida e frase interpretada causava-me fascínio, junto as imagens daquele pequenino grande pensador, que viveu no Asteroide B-612 com a sua amiga rosa, seus vulcões, conflitos e acontecimentos incríveis… Continue lendo “O Primeiro Livro Que Me Levou”

Enrustidos Não Passarão

Há uns dias atrás, passando pela rua com meu namorado, trombei dois distantes colegas meus aqui do bairro, um deles eu não via a muito. Cumprimentei-os com um salve ligeiro, eu e meu amor. Apenas um deles nos saudou, até aí tudo bem, ninguém é obrigadx a responder uma saudação. Mas após alguns passos adiante, ouvi o outro (o que eu não via a muito), dizer em alto e bom tom: “…Eu não! Jamais eu falo com viado!“.

Demorou mais alguns passos para cair a ficha do que escutamos. Parei. Continue lendo “Enrustidos Não Passarão”

Maria Isabel

“Maria Isabel vive longe daqui… E lá, nem a internet a alcançou ainda.
Nos comunicamos por memórias e através de cartas.
Sim, por cartas e lembranças.
Há trinta e cinco anos enviamos cartas uma pra outra!
Há trinta e cinco anos eu não a vejo, minha melhor amiga desde criança… Continue lendo “Maria Isabel”

Livro Sem Fim

Um dia, passando as férias escolares na casa de meus avós maternos, no Jardim Peri, acabei me desentendendo com uma prima de terceiro grau que eu mal conhecia (coisa de crianças pré aborrecentes) e de noite recebi o seu telefonema, furiosa, do outro lado da linha me contou um segredo de família que eu não sabia, ela disse: “BIXA, VOCÊ É ADOTADO!”. Continue lendo “Livro Sem Fim”

O Circo do Terror

É muito difícil libertar um povo que vota para ser escravo. Um povo sem memória de sua própria história. Um povo que nem sabe o nome de seus bisavôs e bisavós; Como, quando e porquê partiram. Um povo laico que não compreende a própria cultura e até pensa que não tem cultura. Um povo 46% crente num Deus egocêntrico e charlatão que, ao invés de pacificar, toca o terror nas minorias. Continue lendo “O Circo do Terror”

renascente

Sei que já chateei alguns corações e não sinto orgulho disso.
O meu melhor está dentro de mim, assim como o meu pior. Se faço o bem, fico bem; Se faço o mal, fico péssimo.
O peso da maldade é insuportável. Então fui esvaziando o que não é luz na minha bagagem.
Sobrou espaço e tempo para focar e fazer somente o bem, porque o bem é leve e não se cansa de si.
A grande sacada é quando a gente aprende que poesia e consciência é tudo. Pra ela ser leve não deve haver o peso de mentiras, maldizeres, calúnias e destruições.

Continue lendo “renascente”

Exército Particular

Acordei as 4 da manhã, ouvindo gritos que ecoavam da rua de cima. Gritos de pranto e apavoro. Abri a janela na tentativa de enxergar, e de longe observei uma moto. Em cima dela duas pessoas, assaltando um batalhador no ponto de ônibus no primeiro horário do itinerário. O senhor gritou que não possuía nada no bolso além da carteira com documentos, um celular velho e o bilhete único. Continue lendo “Exército Particular”