Sem Teto: Mulambe Coragem!

Num sol de 34º na fervente São Paulo,
Passando de ônibus na ponte Mutinga,
Da janela observo, logo ali na calçada,
Alguém que dorme totalmente cobertx,
Na única sombra que uma árvore faz; Continue lendo “Sem Teto: Mulambe Coragem!”

enTenda

Cimento difamado de baixo valor
Renda desumana cemitério de tronco

Empreendimento prendedor:
Na frente felicidade, atrás horror

Tenda de publicidade estupenda
Vende apartamento sobre plantas
preservadas pelo solo Guarany

Cadê as árvores que haviam aqui?
Colonizadores invadiram o mato;

Cadê os bichos que haviam aqui?
Patriarcado devorou e aos risos arrotou;

Na cara dos ressacados emergentes
Inquietos em filas com seus carnês…

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Outra Realidade nas bibliotecas públicas

Escrevo desde os doze anos de vida. Quando comecei a escrever, eu nem sabia que aqueles textos eram poesias. Poesias de um coração marginal. Eu soube o que era poesia pouco tempos depois, na escola, quando xs professorxs de português me estimulavam a escrever.

Um índio gay oriundo numa tacanha e importante periferia da maior cidade do imenso Brasil: a periculosa Taipas, localizada no arranha-céu da noroeste megalópole. Tenho sorte de ter nascido aqui. Tenho mania de achar ter sorte por simplesmente ter nascido e sentir o que sinto.

Deserdado pelos amigos da infância, o meu afeto foi transferido para a fauna, flora e seres que buscam mais do que meras aventuras no existir. A poesia me fez observar melhor a existência de tudo; questionar sem medos; cidadão crítico; pensante e realizador. Meu livro de poesias chegou nas bibliotecas públicas:

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Acredito fielmente que somos todxs guerreirxs. O que nos diferencia são as nossas lutas.

Poesias são gotas de luzes capazes de lavar até a alma da gente! A única coisa mais potente são banhos em cachoeiras desertas.

 

Diego Rbor

Dê Pressão!

Babilônia nata
Babilônia mata

Paga carro pra sobreviver
Paga caro pra morrer

Esse povo é top:

Quanto custa cada quadrado?
Quanto peso tem seu concreto?

Não posso plantar a erva
em meu terreno
Porque o bico sujo dedura
o mato que me cura

O mato cura! Continue lendo “Dê Pressão!”

Livro Sem Fim

Um dia, passando as férias escolares na casa de meus avós maternos, no Jardim Peri, acabei me desentendendo com uma prima de terceiro grau que eu mal conhecia (coisa de crianças pré aborrecentes) e de noite recebi o seu telefonema, furiosa, do outro lado da linha me contou um segredo de família que eu não sabia, ela disse: “BIXA, VOCÊ É ADOTADO!”. Continue lendo “Livro Sem Fim”

Sevirologia: A arte de se virar

José Soró é um dos arquitetos da nossa boa cultura periférica

Nascido nos anos 60
Brasileiro, cresceu nos braços do povo e pelo povo lutou
Por nós, povo
Pelo imenso valor de nossa simples cultura

Guerreou pelos direitos humanos e
Venceu usando o caráter e a coragem como armas principais
Um artista em prol da sabedoria de um povo Continue lendo “Sevirologia: A arte de se virar”

Memória Viva Guarani

Todo brasileiro que preza pela nossa pátria amada deve dar atenção e amor aos indígenas. Eles são os povos mais antigos daqui. Resistem até hoje mesmo diante de tanto preconceito, no meio do capitalismo degolando universos e digitais.

Eu amo a minha cultura periférica, próxima de matas e aldeias.

Sou um dos poucos que lutam pela raiz da minha história. As favelas foram tomadas pelo poder e hoje muitos estão perdidos e sem sonhos. Ao ouvir esta obra de Ñande Reko Arandu, sinto a luz me preenchendo a alma.

Desejo que seja um combustível para você também…

 

D.