À Melhor Direção

Certa manhã acordei assustado, sentindo a dor de todas as vezes em que fracassei. E deitado passei a as mãos em meu rosto, acariciando os tapas, mal olhados, incompreensões… Toquei meu peito em sua ferida, cheio de dilemas, murros, sustos. Me toquei de que sou o único motivo de me sentir assim, incabível numa imensa lata de lixo! Precisei me reciclar ao longo dos dias e noites longas; me afastei de gente tóxica, de situações sofridas caladas. Chorei para me livrar da culpa e me pus no sol a queimar.

Hoje me sinto mais vazio, porém mais leve e sem o peso da pena, do medo e principalmente da coragem dissimulada. O que não muda para melhor torna-se incapaz de me transformar positivamente. Transformações são necessárias, então transmutei em mim todas as lembranças que alcançaram o meu coração agora regenerado.

O vento é um dos melhores investimentos do tempo: Me sinto limpo e entregue à melhor direção.

Com o muito do pouco que possuo, quero poder agregar ainda mais ao meu planeta e causas emergentes, cuidar melhor do chão terra que piso e me move, da vida água que me percorre, do alimento planta que purifica. Quero multiplicar minha força à força dos anjos, dos ancestrais e dos povos originários, minha verdadeira família atemporal. Concluí um projeto importante, agora vou sonhar outros.

Me preparo para o lançamento do meu terceiro livro, ‘Poesia Move’, que será lançado em Dezembro, celebrando uma fenda importantíssima que está prestes a acontecer em nosso planeta.

Com amor,
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Diego Rbor

Outros Assuntos

Na casa da maioria dos brasileiros
Tem algum móvel made in Casas Bahia
Parcelado com juros à ilusória economia

Pobre dos miseráveis fuleiros
Dedicação total ao seu dinheiro
Dá meio dia a pequena casa tá “vazia”

A mesa, grande, preenche cadeiras aparentemente confortáveis
Uma toalhinha recebe a ausência temporã…

A guerreira mama África foi demitida
Agora almoça em sua cozinha
Na cia. de seu querido novo celular

“Quando a casa era cheia, eram outros bolos os assuntos
Enquanto na pia há farta ingratidão…”

Lava a louça e põe para secar novamente
Vai pra sala reviver os casos de família…
Ela lembra de seu filho, como deve tá agora?

(A vida é uma nuvem a passar suavemente)

Ser humano quando tá preso sofre calado
Quando livre, escraviza-se na televisão
Controle remoto numa, android n’outra mão

Cada toque no telefone é uma esperança
De uma notícia que nunca descansa
Ela pensa que é trabalho, mas é só cobrança.



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Diego Rbor

Sempre Crente

O Brasil desceu além do chão
Desceu tanto, mas tanto
Viemos parar nos quintos

Aqui tá cheio, porque Crente
De inferno entende
Críticas, mármores, fogo…

A água benta não consegue
Apagar o incêndio na Amazônia
Nem em São João da Boa Vista

Crendeuspai!

O Brasil está vendo o quão patriota é
O cidadão de bem conservador
Mas não podemos generalizar
Afinal, a bala que matou o pastor
Saiu da armada esposa pastora

Ô, Glória!

Na frente do hospital estava lá, o Crente
Impedindo o aborto
De uma criança inocente
Estuprada por um ente

Misericórdia!

E o congresso, indecente, perdoou
A dívida de 1 bilhão das igrejas evangélicas
As ovelhas, em chamas, desdém
Enquanto Deus chora
Eles gritam ALELUIA, AMÉM.

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Diego Rbor

Doutorado Amor

Casas grudadas
Vizinhos distantes
A bondade é rara
Vale diamante


Não fosse a poesia
Nem sei quem eu seria
Certamente estaria
Longe de mim
Despedaçando alegria
Trancado n’algum armário
Atrás de salário, caindo
Em conto de vigário

Não fosse a poesia
Eu nem conheceria
O amor e o poder
De transmutar a dor;
É o que há de melhor
E pior em mim
Cortesia, maresia, anestesia
Minha noite e dia

A poesia salvou honestamente
Porque acendeu simplesmente
À Luz

Faz encontrar beleza em quem sou
Esta é a função de ser poeta:

Doutorado amor.

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Diego Rbor

Fotografado na Praia Preta por Vanila Lua, 2014


À Corajosa

Uma formiga leva com esforço o peso
Duas vezes superior ao seu

E, se esmagada, ainda tenta…
Ela é mais forte porque sabe que é capaz
Nada deve detê-la!

Um segundo esmagamento poderá até matá-la
Ela morrerá, corajosa, revivendo
A potência
Da covardia humana.

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Diego Rbor
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Fotografia: Ana Castello