Conservador Barato

Toda lida é importante

A arte vence a ignorância
Porque entende bem Deus
Triunfa em nó a piedade
Respeita questionamento
Agradece e aperfeiçoa-se

Têm as que sabem disso
Têm as que se esquecem
E quem finge não saber
Mas todas as vidas estão

Quem sabe, questiona-se
Quem esquece, tem carma
Os que fingem, perecem

Se todes somos um, então
Quem contará a história?

elenão

_
Texto: diego rbor
Arte Visual: ® f.t.p.

TransAgro

A caridade está mais cara

Tanta comida é jogada pra fora
Ou porquê vence ou porquê sobra
Tanta gente tá pedindo esmola
Sem teto vale menos que uma bola

Sobre viver, sobre viventes

Já estamos sem educação
Tomaram a nossa união
Servindo aos ricos
Não nos damos as mãos

Terra sente falta com razão

Pobre de nós pobres
Comendo agrotóxicos
Todo dia transgênicos
Na ração que satisfaz
E judia a refeição

Cuide-se como puder

Viver é top
Morrer tá pop!

ftp

Texto: diego rbor
Arte Visual: ® f.t.p.

funcionários e desempregados

Boa tarde, batalhadora, batalhador, peço que me leia, serei breve, por favor
Trabalhador, já fui ofice-boy, estoquista, auxiliar, estagiário, vendedor…
Hoje sou um escritor, ganho a vida refletindo em literaturas; Poesia é minha maneira de vencer a dor

Trabalhadores, somos todos guerreiras e guerreiros, e o que nos diferencia são as nossas lutas nas variadas labutas do existir
Estou aqui te convidando para comigo refletir
E encorajar os nossos sonhos em cada decisão
Somos brasileiras e brasileiros, aqui não é um país de formar patrão…
Empregados são tratados como tapados, vendados, obturados
E não é para isto que fomos criados, a vida não nos fez para sermos tirados de otários
Temos ciência, sapiência, paciência e consciência
Não deixe seu salário manipular a sua competência
“Se tens um sonho, foque e seja
Se tens um dom, invista, proteja” – É o que a Luz me diz

Os mais ‘ricos’ do que nós, não querem nos ver tão ricos quanto eles
Eles pensam que nossas famílias, pobres, não merecem as felicidades existentes

Enquanto nós trabalhadores, sabemos mais sobre merecimentos
Construímos casas, barracos, favelas, carregamos os cimentos
Políticos de direita usam, nós, pobres como se fossemos jumentos
Nas rachaduras dessa sociedade candura que ainda quer a volta da ditadura
Para matar ainda mais os sonhos de muitos de nós, pobres de alma dura
Eu não aguento mais tanta injustiça!

A humildade me ensinou a pegar na terra e a plantar
A humildade me faz entender que não preciso só comprar, comprar, comprar
Está tudo na terra, esta que os ricos insistem em nos tirar
Está tudo na água, esta que políticos insistem em privatizar
Não podemos deixar! Não podemos tolerar!
Ou levantamos a cabeça ou eles irão nos ceifar
Assim como fizeram com os nossos ancestrais
Há pouco mais de 500 anos atrás

Estamos no segundo semestre de um 2020 pandêmico:
Os 42 bilionários do Brasil aumentaram a própria riqueza em 27 POR CENTO durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos
Às custas de nós, pobres
Do nosso esforço competente em enriquecer presidente branco que nem liga pra gente, mas liga pros ricos e milionários brancos
Enquanto alguém achar normal o branco cada vez mais rico e o preto cada vez mais pobre, tudo vai piorar

Estamos numa crise criada pelos ricos, brancos, em suas viagens e banquetes nojentos, caros!
Não respeitam nem os animais, imagine os nossos ancestrais vermelhos!

Por isto escrevo, pois espero nos unir um dia, caro trabalhador e cara trabalhadora
Porque se hoje eu escrevo é porque tive um professor, uma professora
Se hoje escrevo é porque fui parido, cuidado ao lado de um povo sofrido
E não quero que a gente morra sem ter no mínimo evoluído

Que seja em comunhão

Agradeço pelo seu tempo em me ler
Conte comigo rumo à revolução.

_
Diego Rbor

fdp
® f.t.p.

Maria José, minha avó!

Hoje é dia dos avós e senti vontade de escrever um pouco sobre a minha relação com a querida avó Maria, a única mais ligada a mim.

Saudade sinto de minha avó
Ativa, baiana, sou sua cara
Um dia me contou histórias
De seu melhor amigo macaco prego
Andava a cavalo com ela
Deixou ele para vir pra SP
E pouco foi feliz aqui
Sorria timidamente, ela

Sempre curti visitar meus avós, a alegria quando ela nos avistava descendo a rua chegando até sua casa, motivava corridas ligeiras ladeira abaixo, rumo ao abraço.
Depois da adolescência, comecei a negar as minhas idas até lá; passei a achar longe, e telefonava para compensar a ausência e aos poucos foram se tornando raras as vezes no ano em que eu a visitava, então ela começou a ir me visitar.

No abraço demorado, o carinho apertado; era um dos melhores programas da vida passar o final de semana na companhia deles, que mensalmente iam até Taipas para abraçar eu, minha mãe e meus dois irmãos.

Os meses ficaram mais longos quando eles deixaram de nos visitar. Minha avó comentou por telefone de uma queda que meu avô teve na rua, isto apertou muito o meu coração. Passei a visitá-los novamente com frequência.

Mas um dia ele passou mal, foi internado. Um tempo depois, faleceu.
Estavam há 56 anos casados.
Minha avó lutou contra a solidão, teve um AVC e parte de seu corpo ficou imóvel.

A pedido da minha mãe, topou ir morar conosco. Ficamos vizinhos por um andar; ela no térreo, com a minha mãe e irmão, eu em cima com minha irmã e os cachorros. Pude me aproximar ainda mais de minha avó. Tomávamos café da manhã juntos diariamente, ao chegar tarde da noite, da faculdade, sempre passava em sua casa para saber como desenrolou o dia. Quando ela já estava dormindo, eu beijava o seu rosto e subia pra casa.

Fiquei sem trabalho durante 4 meses e cuidei de minha avó; levantava-a da cama para acessar os cômodos, cozinhava para ela os pratos que gostava, assistia as novelas e comentávamos, indignados, sobre o enredo das tramas artísticas que imitavam a vida. E enquanto ela organizava a gaveta de meias, me contava histórias sobre sua infância. Uma destas histórias é a do seu melhor amigo macaco prego, que andava a cavalo com ela, na Bahia.

Minha avó gostava de plantas, e eu amo as plantas.
Um dia li na internet o poder das plantas e comentei dos milagres que as ervas são capazes de proporcionar ao corpo humano. Eu já seguia a kabbalah e decidi unir a tecnologia da mente com a medicina natural. Minha avó embarcou comigo nessa sabedoria. Colhi a babosa, fomos pra lavanderia: Ela sentada numa cadeira e eu sentado no chão, ergui a sua perna inerte sobre as minhas e comecei a massageá-la, de olhos fechados, meditando os melhores sentimentos. Ao abrir os olhos num determinado momento, vi que minha avó estava com os olhos fechados, continuei a massagear, emanando Luz para aquela guerreira que eu tanto amava.
Após dias e dias massageando e meditando, certa tarde ela gritou e eu tomei um susto! Gritou de alegria comemorando a sensação de mover o próprio pé, que estava paralisado desde o AVC. Vibramos, felizes! Levamos a arte da cura mais a sério, ela melhorava aos poucos, inclusive conseguia andar sozinha!

Foi a minha primeira revelação do quanto a fé pode influenciar na vida. E não falo da fé religiosa, e sim da fé espiritual.

Após meses contribuindo para os cuidados de minha avó, voltei a procurar um trabalho e consegui. Minha mãe contratou uma amiga dela para continuar os cuidados e então a nossa rotina mudou. Minha avó insistiu em voltar a morar na antiga casa, onde viveu com meu avô. Nos desaproximamos novamente no decorrer dos meses.

Eu achava que o emprego era mais importante que tudo, faltei em vários aniversários. O sistema é bruto e tenta nos tornar assim.

Um dia, no trabalho, recebi um telefonema: era minha tia dizendo para eu ir no hospital Mandaqui visitar minha avó, que havia sido internada. Saí correndo ao seu encontro. Várias lembranças no trajeto do ônibus que mais parecia um navio, de tão demorado!

Chegando no quarto do hospital, fiquei despedaçado com a situação em que vi minha avó, inconsciente, com a boca seca, olhar turvo; tentava me dizer algo e não conseguia. Fui atrás de um algodão e molhei com água a sua boca, para hidratá-la. A enfermeira pediu que eu me retirasse, pois ‘o horário de visita terminou’.

Na volta pra casa recebi outro telefonema, informando a sua partida. Não consigo expressar o tamanho da dor que eu senti.

_

Três fatos que guardo com carinho:

As páscoas que meus avós chegavam em casa com os ovos de chocolate mais simples que tinham nos armazéns, eram os mais saborosos na época.

Um dia, olhando o seu RG, notei que no lugar da assinatura estava escrito em letra maiúscula a palavra ANALFABETA. E a questionei, “como uma pessoa tão sabida e inteligente poderia ser chamada de analfabeta?”. Ela riu. Meses depois se matriculou numa escola perto de sua casa e começou a estudar, aos quase 70 anos.

Eu era adolescente, já trabalhava, e fui passar um fim de semana com ela e meu avô. Numa segunda-feira bem cedo, acordei para me preparar pro trabalho, ela acordou para preparar o café, meu avô dormia. Antes deu sair pro trabalho, sentei com ela para tomar o café. Agradeci e quando olhei em seus olhos os vi marejados, ela abaixou a cabeça e uma gota caiu em seu colo. O aperto em meu peito torceu-me os olhos a marejar igualmente. Nos observamos sem conseguir dizer uma só palavra. Na noite anterior eu descobria que fui adotado, após receber o telefonema de uma prima que não gostava de mim. Eu não contei pra ninguém sobre o telefonema, foi como se ela sentisse que algo estava errado. Me despedi e tomei meu rumo. Sentei no banco do ônibus e desabei a chorar.

Vó Maria tinha uma risada gostosa. Adorava fazê-la rir porque eu achava que ela sorria pouco.
_

Onde quer que você esteja, minha vó, sinto-te perto e amo te amar e lembrar do que vivemos.

Com amor,

Diego Rbor

04BlEMzp
Vó Maria e eu, 2010

Casulo

Contente por receber mensagens de seres plenos de amor e respeito à vida. Estou bem, mas com saudades de uma lida menos remota. Apesar de curtir gente, tenho abraçado muitos ventos na janela, tocado o coração das plantas e sentido os cheiros no ar; Descobri que no Casulo a vida é bela, calma, e nos prepara para sair e beijar o florir.
Com os olhos e ouvidos amo Colibris, Sanhaços, Saíras e tantas perfeições com asas; Descobri que os pensamentos são o néctar dos anjos e para saber disto meditar é necessariamente preciso.
A natureza sempre salva: sustenta o bem como as frutas, os legumes, os minerais, os órgãos.
Não como carnes há meses e me sinto bem forte e sem peso.
Um poeta de vida e essência sabe usar o fogo.
Quero me apegar no que acrescenta a água pura dentro e fora de mim.
É um momento marcante.

Que sejamos perseverantes para atravessar este deserto pandêmico.

Milagres existem. Só desacredita quem ainda não precisou deles.

_
Diego Rbor

Screenshot_2020-07-20-19-16-24_2

Indígenas, Povos Originários

O que você sabe sobre os ‘Índios’?

“Índio é OUTRA SOCIEDADE, não apenas uma Cultura.
Índio NÃO VIVE no patético sistema capitalista.

O Brasil é Indígena. Saiba o que o indígena NÃO PRODUZ:

– Indígena não produz lixo, principalmente não produz ilhas e montanhas de lixo.
Em especial, Indígena não produz lixo tóxico nem lixo incapaz de se deteriorar;

– Indígena não produz exploração do trabalho alheio, não faz de seu povo servo de ninguém;

-Indígena não produz pessoas egoístas e individualistas;

– Indígena não produz pessoas ignorantes de achar que recursos finitos podem ser explorados indefinidamente;

– Indígena não produz incels, serial killers, terroristas, mass shootings, sequestradores, assaltantes em sua sociedade;

– Indígena não produz desperdício de alimentos só porque não comeu;

– Indígena não produz cadeias, prisões e solitárias. Nem produz prisões compulsórias;

– Indígena não produz moradia vazia, nem especulação imobiliária;

– Indígena não produz miséria de muitos pra alguns poucos enriquecerem;

– Indígena não produz regimes totalitários, colonialismo, coronelismo e escravagistas;

– Indígena não produz visando lucro, pois tudo que produz é visando o coletivo e o bem da aldeia;

– Indígena não é escravo do dinheiro;

– Indígena não produz idiocracia, não elege ignorantes como líderes nm chama de imbecis filósofo e intelectual;

– Indígena não produz superpopulação, nem poluição sonora;

Parem de achar que o Indígena é imprestável por não ter o nosso estilo de vida.
Parem de achar que o Indígena precisa ou deva se render ao nosso tipo de sociedade e abandonar o dele.”

_

Há 520 anos acontece o genocídio indígena desde que os europeus invadiram o que hoje chamamos de Brasil. Em 1500 haviam cerca de 8 milhões de indígenas aqui, com mais de mil etnias diferentes. Hoje, em 2020, o Brasil tem só 305 etnias e 900 mil indígenas, apenas 10% do que havia há 500 anos atrás.

O genocídio indígena das Américas é considerado o pior holocausto que se tem notícias. A maioria das pessoas não sabem disso porque nem as novelas, nem a Disney podem contar a realidade nua e crua.

De acordo com a ONU, 4 cerca de 4 líderes indígenas são assassinados por mês na América Latina.

Hoje, 27 de junho de 2020, enquanto editava este texto, soube que dois indígenas Yanomami foram mortos por garimpeiros em Roraima.

Eu sinto vergonha de ser brasileiro.

diego rbor em São Tomé das Letras
Diego Rbor fotografado por Eri Sá

 

Sonhar, meu querer…

Cada um é seu dom, uns descobrem, outros nem fazem questão
Eu quero poder trabalhar vivendo arte literária, com dignidade
Revelar a importante força da vida, através da minha poesia
Escrever sobre todas as coisas que possibilitam a gente sonhar
Focar na responsabilidade de semear amor à nossa natureza
A maior jornada de ser humano é ser feliz, com fé, se realizar

Cada uma das vidas existem pra cumprir uma missão única aqui
Eu quero viver em harmonia, liberdade, respeito com toda idade
Proclamar bondade como um ato de coragem, somar resistências
Falar sobre democracia, ciência, história, consciência, nossa luta
Confiar nos ancestrais, pois viraram energias para nos iluminar
A melhor jornada de ser humana é ser feliz, em pé se reafirmar

Não, não quero muito dinheiro nem bens nem carros nem relógios
Quero me alimentar, comer abacate pelas manhãs com meu bem
Quero encontrar amigas, amigos, em todo lugar sem temer tempo
Quero andar pelo campo, plantando saberes, multiplicando o ar
Quero ser um canal de Luz, para te olhar feliz e no fundo sentir…
A única jornada do ser bem sucedido é honestidade no outro sorrir

20200615_142114_2 (1)
Fotografado por Eri Sá

Mudança

Vim morar no litoral há pouco tempo, uns 2 meses. Eu, Nerinho e o Billy, cãopanheiro há 10 anos. Num apartamento de minha guerreira mãe, que estava vazio. Atualmente ela vive com suas irmãs na casa em que cresceram, onde por vontade própria decidiram morar juntas, sempre foram unidas, e hoje são todas viúvas.

Desde que cheguei por estas bandas litorâneas, comecei a focar melhor nas coisas que acredito. Apesar de ter deixado a periferia por tempo indeterminado, a periferia não sai de mim, permaneço ajudando algumas ONGs.
A kabbalah me ensina a ajudar o mundo, seja através das vibrações em meditações, seja nas ações de compartilhar, financeiramente, o quanto posso, e através das criações artísticas, pois engajam outros olhos à criar. Sei da minha missão no mundo e trabalho para este propósito.

Compartilhar é uma ação essência de almas acesas. Me sinto aceso, apesar da pandemia.

Estar aceso é ter certezas boas. Isso acontece quando aprendemos a dar atenção para os bons pensamentos, palavras e ações. É uma tarefa desafiadora!

Aqui, no litoral, de um lado vejo o mar; do outro montanhas bem altas e verdes. Tem dia que as nuvens cobrem do topo até a metade. Vista de um prédio ‘vazio’, com poucos vizinhos, o silêncio faz ressoar o som das ondas e ventanias que abraçam coqueiros; o bebedouro do beija-flor contém água aromatizada com o pó das flores, toda hora passarinhos vem nos visitar e bebem, bebem, saltitam entre a janela e o varal.

Fizemos amizade com uma vizinha, a Sônia, do bloco ao lado, maravilhosa! Sorriu pra nós da janela… Sorrisos são poderosos como arco-íris! Sempre tomamos chás juntes, ela mora sozinha e disse que muito ganhou com a nossa amizade. Nas raras vezes em que vamos ao mercado, mascaradas e tomando todo cuidado, nos divertimos e conversamos muito. Somos uma nova família formada no meio de uma pandemia mundial. Você imagina o valor disso?

As ruas aqui são mais vazias, e o povo aprecia andar de bicicleta, inclusive o padeiro. Há carros de vendedores de mandiocas, de pamonhas, frutas, ovos, camarão… O primeiro a nos acordar durante a semana é o padeiro.

A tv de tubo fica o dia inteiro desligada. Tenho criado filmes poéticos pro meu canal no youtube e também tocado mais kalimba, criei duas musiquinhas envolvidas em poesias que escrevi recentemente. Faço encontros literários pelo instagram e sempre mostro alguma poesia ao som da kalimba. Me deixa leve.

Outra coisa que me deixa leve são os chás que eu trouxe da Jupter Store, eita chás e escalda pés poderosos os dela! Nerinho e eu adoramos e sempre tomamos/usamos. Dividimos o chá com a nossa vizinha Sônia, que também adorou! Inclusive ela estava querendo parar de comer carnes, e após conhecer eu e Nerinho, está conseguindo. Mostramos a ela o poder da proteína de soja no meu tempero, ela nos apresentou um pequeno comércio que vende alimentos 100% naturais, formamos quase um casamento! rs

Revelamos o poder da meditação… meditamos juntes por horas ao longo da semana. Inclusive comecei um curso de cabala muito bom, que vai durar 8 segundas-feiras. Da primeira aula pra cá senti um resultado promissor.

Estamos mais conectados com as plantas. Iniciaremos, semana que vem, um curso online sobre fitoenergia.

Ainda não tocamos o pé na areia da praia, muito menos no mar. Sentimos que haverá o momento certo disso acontecer. Respeitamos a lei da natureza porque dependemos dela para sobreviver. Apenas a admiramos.

Sentimos falta de nossas parentes, amigas, amigos e pessoas queridas. Sônia também sente saudade de suas filhas e netas, e nessa mistura de saudades a gente se abraça e observa. Aprendemos que o pensamento focado no melhor de quem amamos é uma maneira de aliviar a saudade antes do abraço.

Não sei quanto tempo vai durar esta pandemia, mas sei que o Diego que está se transformando quer durar a vida inteira para merecer o melhor que este mundo tem a oferecer.

Que seja Luz!

 

.

Diego Rbor

AntiPT

Se pudéssemos fazer uma pesquisa sobre a vida das pessoas que são antiPT, ficaríamos aterrorizados com as barbaridades.
Tem gente que se autoafirma antiPT, mas a real sabe nem o por quê.
Todas as pessoas antiPT que eu conheço possuem uma série de problemas mal resolvidos por preguiça ou medo de se expor, expor as próprias fraquezas, dívidas.
Tem um que é pai de duas famílias e não liga pra família de filhas, não paga pensão, não pede pra ver nem vai até elas. Até esquece data de aniversário, precisa de facebook pra lembrar.
Outro, é um que se diz machão, faz arminha com a mão, diz que odeia viado e faz o amigo negro de ‘gato e sapato’ no churrasco, mas na hora que bebe rebola até de quatro na frente dos ‘aliado’.
Conheço uma antiPT que, mesmo sendo lésbica, chama Dilma de ladrona sapatona, e quando questionei o que Dilma roubou, o assunto se perde e vira Lula, e aí bugou a robô. Ela nem sabe o que afinal Dilma roubou.
Na rua tem uma antiPT que se diz bem casada, seu marido tem até comércio, e em sua casa tem câmeras voltadas pra rua. Um dia ela disse que Dilma era militar e atirou em muita gente de bem quando era moça. Fiquei pasmo, perguntei onde ela leu a informação, ela disse que todo mundo sabia. Me questionei em que planeta eu vivia e perguntei se isso foi na ditadura, ela coçou a cabeça e disse que não sabia mas achava que sim. Aí eu entendi tudo quando ela foi perguntar pro marido que é ex funcionário público.

Muitas pessoas não sabem e apreciam o fato de não querer saber. Sei lá, talvez a culpa seja da tevê.

O jornal nacional contribuiu tanto com o manejo do gado, noticiando pedaladas da Dilma, expondo sítio e duplex do Lula…

E ainda teve o caso da Friboi…. Já ouvi gente dizendo que era do filho do Lula, que por isso ele fez a propaganda.

(Achei desnecessária a propaganda da Friboi, pois o desmatamento acontece devido o consumo de carnes, e ninguém precisa comer carne para sobreviver. Nem por isto sou antiPT.)

O ódio cega as pessoas e depois as conduz pela inexorabilidade. O ódio torna o ser preguiçoso. E aí ele esquece até o valor do amor.

É preciso muita humildade para compreender os antiPT, porque essa gente que se diz de bem, em suma são fascistas, não sabem e nunca souberam o que é ser zen.

 

Diego Rbor

Pandêmico: Coração Devedor

Nasci num bairro vasto que já foi pasto. Onde aos poucos o povo foi ocupando, para lá se mudando. Antes de mim lutaram muito por direitos: moradia, saneamento, asfalto, hospital, educação, biblioteca, transporte, alimentos. Um lugar onde a política e a mídia foram os últimos a chegar. Nasci numa periferia que demorou para ser chamada de lar. E tenho apenas trinta e dois anos de vida. Mas me dói ver numa quebrada ‘evoluída’, gente que apoia fascista que nesta mesma gente pisa. Me dói ver os ponto de ônibus lotado por gente batalhadora que vota nos Dória helicópterousado. Dói ver meu povo trabalhador votar num fascista fazedor de robô. E não posso nem julgar o atraso nisso tudo, pois tive uma mãe branca que contribuiu como pôde para bancar meus estudo, aos trancos e barrancos ela se responsabilizou. Lembro de colegas que nem mãe tinham, quanto mais valor de um professor. Um dia, numa aula de biologia, a professora mandou abrir o livro, muitos de nós nem tinha: “Porra, numa escola pública, pagar por material é súplica…”. Fazer trabalho em dois é boi, em três é uma furada! …Sempre ficava de fora, não era bom exemplo na escola de esquema dita dura; eu era uma bixa pobre ao relento, que não abaixava a cabela fácil pro tormento; fiquei de várias recuperação, e janeiro era sem recreio; ia de cabeça erguida porque quase nem tinha gente no meio, da sala. Pelo menos eu respeitava as professora, que tinham para mim o mesmo valor que uma doutora, vai ver por isso nunca repeti de ano; meu bom dia, minha gratidão e meu perdão sempre me passaram pano! Mulher na minha vida é a maior verdade: Minha mãe umbandista; meu pai suicida; meu avô um racista; e o mundo um vigarista que tentou me esconder de minhas próprias vistas.
Deus é uma irmã negra que teve piedade: me mostrou Caetano, Timbalada, Daniela Mercury, Marisa de verdade e também Ivete… tive aula de axés! Vi e ouvi o maracatu em ‘A Indomada’ quando pivete, e ainda menino, em Zazá, me apaixonei pela voz Fullgás de Marina, antes de saber quem era ela; foi numa música de novela. Eu nem sabia o que era arte! Aos 10 anos de idade, arte, para mim, era o que Ivone fazia: Me ensinou a ler nas pichações da cidade-aldeia. São Paulo é mata que incendeia. Cada vez mais cheia, os morros morrem nas mãos da polícia que a faz de recheio da ceia natalina.

É tempo de ano novo: pandemia fez de dois mil e vinte um mundo ciclo renovo; não dá pra ser o mesmo neste ovo; é preciso amor pela rebeldia e assim sairmos ilesos; nós, que somos cria da periferia, temos que nos unir aos indígenas coesos; à força da nossa ancestralidade ligada e conectada aos estupros de nossas bisavós, caladas, que hoje gritam em energias latentes no nosso peito aceso.
Não seremos frágeis leitos mortos pela polimilícia de um estado estuprado procriado sangrento.

Devemos fogo no fascismo racismo preconceito.

 

Diego Rbor