Insignificante

O mundo lá fora está cada vez mais seco
Sem tempo para as minhas sensibilidades
Olhares já passam pelo meu corpo invisível
Nem parece que eu faço artes, escrevo, leio
Nem parece que eu amo meu semelhante
Meu sorriso torna suas normalidades caretas
Percebo que minha graça tanto faz como tanto fez
Meus abraços, ontem demorados, hoje ligeiros
Chocam rostos que nem a chuva o chão

Minha kalimba toca a dor do meu coração,
Mas ninguém percebe

Estou frio similar?
Talvez seja porque o mundo está a abrir
Seu enorme vaco diante de minha insignificância

A história é só uma lembrança de um mar límpido
.

Pra quem foi cancelado desde que nasceu,
Acostumei-me ser fiel às perdas e ganhos
Meu rebanho tem sido um bocado de ventos,
Carícias caninas, assobios aos pássaros e abraços em árvores
Solidão é um vazio que precisa de preenchimento
E muito amor, compreensão e certeza sã

Uma flor amarela na sala de casa concorda comigo:
o ar, a água, o vaso que a sustenta e meus olhares
Não a tornam eternas como a terra firme, molhada

Uma lágrima a cair no papel borra a tinta falha
Sou insignificante mas existo, resisto e vivo.

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