Somos Muitxs

Quando comecei a escrever, com doze anos de vida, eu não sabia que aqueles textos eram poesias marginais. Um dia, furiosa e sem valorizar arte na vida, minha mãe me puxou no médico afirmando que eu estava doente por não querer sair do quarto, escrevendo. O armário começou a fechar aí. Nas excursões escolares eu raramente podia ir, pois não tinha grana pra pagar, mas em parques de diversão meus amiguinhos faziam rateio e quando dava eu ia. Um dia, numa excursão que a escola fez à Pinacoteca de São Paulo, fiquei de fora. E sem internet eu ficava imaginando como seria a Pinacoteca. Mente pe ri fé ri ca é osso, mas depois que se abre, não volta a seu tamanho original.

Dois mil e dezenove está sendo um ano testador de resistências artísticas e culturais:  O país empobreceu, em quase todos os sentidos. Mas na arte a lama vale ouro!

As artes nunca se enxergaram tão de perto, pelo menos na minha existência. Vejo fomentos necessários em cada canto da cidade, inclusive involuntariamente, observo a arte até nos lugares mais controversos, nos conectando. Nas extremidades da riqueza e na pobreza, a arte se revela arte de viver e fazer valer o que tem. Aprimorar. A arte de respeitar outras culturas numa escola é tão necessária quanto a arte de se construir uma escola. Tão começando a entender que com Arte, a educação e compreensão podem funcionar bem melhor.

As artes libertam! TODXS!

Este ano eu conheci a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a convite do coletivo Bixa Pare, para compor o Sarau Bixaria Literária que aconteceu lá. Performei no Octógono ocupando parte da programação Untitled 2019 (demo station n.7) do tailandês Rirkrit Tiravanija, na exposição Somos Muitxs: experimentos sobre coletividade.

Me reunir com artistas laicoloridxs periféricxs somando com a nossa mensagem, num ambiente como a Pinacoteca do Estado, neste dois mil e dezenove inacreditável onde o fascismo esperneia, foi uma chuva de sementes libertárias eu ter levado os meus escritos para eternizá-los nas mentes pensantes presentes. Eu, um poeta marginal gay índio adotado favelado agradecido.

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Foto: Nerinho Sá

WE ARE MANY!

Diego Rbor ®

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