Bullyng

No início dos anos 90 passava uma novela chamada VAMP. Eu tinha 5 anos. Naquela época essa novela mexeu tanto com o meu imaginário que eu queria ser um vampiro. Na verdade uma vampira. É que a personagem principal da novela se chamava Natasha. Uma vampira linda, de cachos compridos e cheios. Eu, aos 5 anos, achava aquela vampira TUDO!

Eu saia pelas ruas mostrando meus dentes imaginários de Natasha, com uma fralda de pano na cabeça, e saía assustando e tentando morder pescoços das amiguinhas e amiguinhos, vizinhas e vizinhos, primas e primos, todo mundo que passava pela minha frente eu queria transformar em vampiro. A minha mãe trabalhava tanto e quem cuidava de mim não tinha paciência para tentar compreender a imaginação daquela criança lúdica. Quanto mais falavam para eu parar, mais eu continuava. Quanto mais os adultos diziam que vampirxs não existiam, mais eu queria confrontá-los! Como eu ficava muito na rua, lembro de ter apanhado muito por ser uma criança ‘encapetada’ como os adultos diziam. Devo ter sido bem mais chato do que posso pensar atualmente.

Não me lembro quanto tempo durou essa brisa, mas marcou-me. Me recordo do quanto as pessoas ficavam me zoando anos e anos por causa da Natasha. Mesmo depois que a novela acabou, eu cresci ouvindo muita gente próxima de mim me chamando de Natasha, rs. Parece que o jogo havia virado: quando eu menos esperava, alguém vinha gritar NATASHA para me provocar: na rua, na escola, na padaria, no ônibus… E foi perdendo a graça para mim. Eu queria ser chamado pelo meu nome, mas não era assim. Fui um adolescente que teve que pagar pelos atos de uma infância incompreendida. Quando esta novela passou no Vale a Pena Ver de Novo eu tinha vergonha de sair na rua! Eu tinha vergonha do meu próprio passado. Da criança linda e lúdica que eu era… Demorou um tempo pra eu tomar consciência de que era arte. Pode uma coisa destas?

Me tornei aqueles adolescentes cobertos por imensas blusas de frio, capuz e calça, mesmo no maior calor. [Mas isto é assunto para outro post!]

Na época que esta novela rolou pela primeira vez, eu tinha acabado de perder meu pai pro alcoolismo. Mas, honestamente, não me lembro de ter sofrido esta perda. Talvez porque a novela tivesse ocupado um lugar especial na mente daquela criança que eu era e que os adultos insistiam em lembrar.

Os adultos daquela época hoje são quarentões casados e seus filhos são iguaizinhos aos pais.

A infância periférica mudou muito de lá pra cá?

diego rbor

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4 comentários em “Bullyng

  1. Não consegui entender a crítica no final… Eu sou quarentão, era pré adolescente na época… E era apaixonado pela Natasha, Cláudia Ohana… Também ficava brincando com meu canino igual o Matosão… Achava a trilha sonora excelente e talvez tenha sido a influência para começar a ouvir rock, sympath for te Devil…
    Os adultos daquela época são os cinquentões de agora, Mas não entendi o que seriam os quarentões casados e que seus filhos são iguais aos pais…
    PS: sinto muito pelo bullying e pela falta de compreensão na sua adolescência…

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  2. Amores Burlescos, vou tentar te fazer entender melhor: Os quarentões que eram adolescentes e me zoavam muito naquela época hoje têm filhxs que também zoam outras crianças peculiares. Digo isto pois moro no mesmo lugar e presenciei uma cena bem feia, e me veio um filme na minha cabeça; Eu vi o pai dele me zoando todinho, ao ver a criança provocando outra.

    Por isso eu questiono se as coisas mudaram.

    Abraço e gratidão pelo sentimento.

    Diego Rbor.

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