O Primeiro Livro Que Me Levou

O primeiro livro que me levou foi O Pequeno Príncipe. Quando criança peguei emprestado na biblioteca pública municipal Erico Verissimo e demorou muito para eu devolver. Tomei multas por isso, mas naquela ocasião eu não me importava, só queria ‘ler’. De tanto andar com o livro a capa detonou e então o ‘ganhei’ de presente.

Eu não sabia ler muito bem… lia com dificuldades e sozinho. Cada letra juntada, palavra lida e frase interpretada causava-me fascínio, junto as imagens daquele pequenino grande pensador, que viveu no Asteroide B-612 com a sua amiga rosa, seus vulcões, conflitos e acontecimentos incríveis… Continue lendo “O Primeiro Livro Que Me Levou”

Sem Teto: Mulambe Coragem!

Num sol de 34º na fervente São Paulo,
Passando de ônibus na ponte Mutinga,
Da janela observo, logo ali na calçada,
Alguém que dorme totalmente cobertx,
Na única sombra que uma árvore faz; Continue lendo “Sem Teto: Mulambe Coragem!”

Dica Secreta de Avó

Se a igreja é um lugar sagrado
por ser a casa do menino Jesus,
Por que é que vai muito diabo
se contorcendo diante da cruz?

Que saí de lá e fala mal da vida alheia,
Não ajuda os necessitados e só pentelha…
Dentro de casa olha pra rua; na rua anda de cara feia!

Por isto que eu digo o lema secreto de minha avó: Continue lendo “Dica Secreta de Avó”

Enrustidos Não Passarão

Há uns dias atrás, passando pela rua com meu namorado, trombei dois distantes colegas meus aqui do bairro, um deles eu não via a muito. Cumprimentei-os com um salve ligeiro, eu e meu amor. Apenas um deles nos saudou, até aí tudo bem, ninguém é obrigadx a responder uma saudação. Mas após alguns passos adiante, ouvi o outro (o que eu não via a muito), dizer em alto e bom tom: “…Eu não! Jamais eu falo com viado!“.

Demorou mais alguns passos para cair a ficha do que escutamos. Parei. Continue lendo “Enrustidos Não Passarão”

enTenda

Cimento difamado de baixo valor
Renda desumana cemitério de tronco

Empreendimento prendedor:
Na frente felicidade, atrás horror

Tenda de publicidade estupenda
Vende apartamento sobre plantas
preservadas pelo solo Guarany

Cadê as árvores que haviam aqui?
Colonizadores invadiram o mato;

Cadê os bichos que haviam aqui?
Patriarcado devorou e aos risos arrotou;

Na cara dos ressacados emergentes
Inquietos em filas com seus carnês…

Continue lendo “enTenda”

Vera

Quase agora eu era uma criança indefesa
Com preocupações pequenas
Não vivia sem minha mãe
Corria, caía e me surpreendia
com coisas raras como um arco íris

Hoje faço o possível pra gostar do espelho
Fecho meus olhos incansáveis
Pra lembrar de minha guerreira
Lento, ergo e me comovo, ainda
com coisas belas como um raio de sol

O tempo é uma flecha que acerta a gente morosamente… Continue lendo “Vera”

Outra Realidade nas bibliotecas públicas

Escrevo desde os doze anos de vida. Quando comecei a escrever, eu nem sabia que aqueles textos eram poesias. Poesias de um coração marginal. Eu soube o que era poesia pouco tempos depois, na escola, quando xs professorxs de português me estimulavam a escrever.

Um índio gay oriundo numa tacanha e importante periferia da maior cidade do imenso Brasil: a periculosa Taipas, localizada no arranha-céu da noroeste megalópole. Tenho sorte de ter nascido aqui. Tenho mania de achar ter sorte por simplesmente ter nascido e sentir o que sinto.

Deserdado pelos amigos da infância, o meu afeto foi transferido para a fauna, flora e seres que buscam mais do que meras aventuras no existir. A poesia me fez observar melhor a existência de tudo; questionar sem medos; cidadão crítico; pensante e realizador. Meu livro de poesias chegou nas bibliotecas públicas:

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Acredito fielmente que somos todxs guerreirxs. O que nos diferencia são as nossas lutas.

Poesias são gotas de luzes capazes de lavar até a alma da gente! A única coisa mais potente são banhos em cachoeiras desertas.

 

Diego Rbor

Dê Pressão!

Babilônia nata
Babilônia mata

Paga carro pra sobreviver
Paga caro pra morrer

Esse povo é top:

Quanto custa cada quadrado?
Quanto peso tem seu concreto?

Não posso plantar a erva
em meu terreno
Porque o bico sujo dedura
o mato que me cura

O mato cura! Continue lendo “Dê Pressão!”

Das Letras

Réveillon dois mil e vinte eu me permiti
Vim pra São Thomé das Letras e não quero mais sair
Fui bem recebido pela Paulina
Almoço de doze conto é uma obra prima
De sobremesa, a geleia de sua neta Marissa
Meu sinal de que estou na estrada certa… Continue lendo “Das Letras”