Somos Muitxs

Quando comecei a escrever, com doze anos de vida, eu não sabia que aqueles textos eram poesias marginais. Um dia, furiosa e sem valorizar arte na vida, minha mãe me puxou no médico afirmando que eu estava doente por não querer sair do quarto, escrevendo. O armário começou a fechar aí. Nas excursões escolares eu raramente podia ir, pois não tinha grana pra pagar, mas em parques de diversão meus amiguinhos faziam rateio e quando dava eu ia. Um dia, numa excursão que a escola fez à Pinacoteca de São Paulo, fiquei de fora. E sem internet eu ficava imaginando como seria a Pinacoteca. Mente pe ri fé ri ca é osso, mas depois que se abre, não volta a seu tamanho original.

Dois mil e dezenove está sendo um ano testador de resistências artísticas e culturais:  O país empobreceu, em quase todos os sentidos. Mas na arte a lama vale ouro! Continue lendo “Somos Muitxs”

Bullyng

No início dos anos 90 passava uma novela chamada VAMP. Eu tinha 5 anos. Naquela época essa novela mexeu tanto com o meu imaginário que eu queria ser um vampiro. Na verdade uma vampira. É que a personagem principal da novela se chamava Natasha. Uma vampira linda, de cachos compridos e cheios. Eu, aos 5 anos, achava aquela vampira TUDO!

Eu saia pelas ruas mostrando meus dentes imaginários de Natasha, Continue lendo “Bullyng”

Segunda-Feira

Ela detona aos poucos os seus ingratos:

De vagão em vagão cheio, vida que segue vazia
Todo santo dia, tudo é breve
~($) Menos a labuta ($)~

Cada sorriso brasileiro não condiz com todo sofrimento, Continue lendo “Segunda-Feira”

Segredo

Já tive vergonha de dizer que sou da favela
Já tive vergonha de me aceitar e respeitar como gay
Tive vergonha de dizer o quanto sentia fome
Tive vergonha de afirmar que pra religião eu caguei

Vergonha do meu vocabulário
e da minha voz estranha pra caralho

Senti vergonha até da minha vergonha
e de escrever cartas de amor para quem amo

Já tive vergonha dos meus antepassados Continue lendo “Segredo”