Outros Assuntos

Na casa da maioria dos brasileiros
Tem algum móvel made in Casas Bahia
Parcelado com juros à ilusória economia

Pobre dos miseráveis fuleiros
Dedicação total ao seu dinheiro
Dá meio dia a pequena casa tá “vazia”

A mesa, grande, preenche cadeiras aparentemente confortáveis
Uma toalhinha recebe a ausência temporã…

A guerreira mama África foi demitida
Agora almoça em sua cozinha
Na cia. de seu querido novo celular

“Quando a casa era cheia, eram outros bolos os assuntos
Enquanto na pia há farta ingratidão…”

Lava a louça e põe para secar novamente
Vai pra sala reviver os casos de família…
Ela lembra de seu filho, como deve tá agora?

(A vida é uma nuvem a passar suavemente)

Ser humano quando tá preso sofre calado
Quando livre, escraviza-se na televisão
Controle remoto numa, celular n’outra mão

Cada toque no telefone é uma esperança
De uma notícia que nunca descansa
Ela pensa que é trabalho, mas é só cobrança.



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Diego Rbor

Sempre Crente

O Brasil desceu além do chão
Desceu tanto, mas tanto
Viemos parar nos quintos

Aqui tá cheio, porque Crente
De inferno entende
Críticas, mármores, fogo…

A água benta não consegue
Apagar o incêndio na Amazônia
Nem em São João da Boa Vista

Crendeuspai!

O Brasil está vendo o quão patriota é
O cidadão de bem conservador
Mas não podemos generalizar
Afinal, a bala que matou o pastor
Saiu da armada esposa pastora

Ô, Glória!

Na frente do hospital estava lá, o Crente
Impedindo o aborto
De uma criança inocente
Estuprada por um ente

Misericórdia!

E o congresso, indecente, perdoou
A dívida de 1 bilhão das igrejas evangélicas
As ovelhas, em chamas, desdém
Enquanto Deus chora
Eles gritam ALELUIA, AMÉM.

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Diego Rbor

Doutorado Amor

Casas grudadas
Vizinhos distantes
A bondade é rara
Vale diamante


Não fosse a poesia
Nem sei quem eu seria
Certamente estaria
Longe de mim
Despedaçando alegria
Trancado n’algum armário
Atrás de salário, caindo
Em conto de vigário

Não fosse a poesia
Eu nem conheceria
O amor e o poder
De transmutar a dor;
É o que há de melhor
E pior em mim
Cortesia, maresia, anestesia
Minha noite e dia

A poesia salvou honestamente
Porque acendeu simplesmente
À Luz

Faz encontrar beleza em quem sou
Esta é a função de ser poeta:

Doutorado amor.

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Diego Rbor

Fotografado na Praia Preta por Vanila Lua, 2014


À Corajosa

Uma formiga leva com esforço o peso
Duas vezes superior ao seu

E, se esmagada, ainda tenta…
Ela é mais forte porque sabe que é capaz
Nada deve detê-la!

Um segundo esmagamento poderá até matá-la
Ela morrerá, corajosa, revivendo
A potência
Da covardia humana.

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Diego Rbor
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Fotografia: Ana Castello

 

Conservador Barato

Toda lida é importante

A arte vence a ignorância
Porque entende bem Deus
Triunfa em nó a piedade
Respeita questionamento
Agradece e aperfeiçoa-se

Têm as que sabem disso
Têm as que se esquecem
E quem finge não saber
Mas todas as vidas estão

Quem sabe, questiona-se
Quem esquece, tem carma
Os que fingem, perecem

Se todes somos um, então
Quem contará a história?

elenão

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Texto: diego rbor
Arte Visual: ® f.t.p.