Samambaia

Há pouco mais de um ano, caminhando pela avenida São João, quase ao cruzar com a Ipiranga, eu e meu namorado notamos, a poucos metros, uma samambaia pendurada numa árvore, na calçada. Um morador de rua que passava deu um tapa na planta quase fazendo-a cair no chão e foi embora.

Chegamos na frente da planta, olhamos ao redor, olhamos pra cima para saber se alguém havia deixado ela ali momentaneamente, mas aparentemente ela havia sido abandonada. Estava desnutrida, com poucas folhas e um verde bem apagado.

Resolvemos levá-la pra casa para cuidar dela. Ato herança da Ivone. Pensamos nela e em seu amor pelas plantas… Subimos no ônibus de volta pra casa com a planta no colo!

Chegamos em casa felizes com a possibilidade de cuidado; cortamos as folhas manchadas e regamos pouco a pouco. Descobrimos que as samambaias gostam da água do arroz, e toda vez que fazemos arroz em casa, alimentamos ela com a água escorrida do arroz lavado.

Com o passar do tempo nasceram folhas novas, ela começou a se encher de vida saudável, e nós ficamos irradiantes com o brilho de sua folhagem.

Ontem, dia 06/04/2020, percebi que a planta está pronta pra sair de casa. Eu e Nerinho levamos ela para o jardim do prédio onde moramos, e lá, rodeada por árvores e outras plantas, ela parece estar bem feliz com o novo destino… Acabei de levar a água do arroz pra alimentá-la e percebi que o céu promete chuva.

Esta quarentena me faz refletir sobre liberdade.

O porquinho da índia que está aqui, resgatado, futuramente ganhará um lar no sítio da família de uma amiga nossa. E se tivéssemos pássaros em casa, daríamos o gosto da liberdade para ele/a.

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Estou triste com o que está ocorrendo com o mundo, mas algo me diz que é uma mudança boa pra gente que faz mudanças… E estas ações de libertar vidas é um alimento à nossa própria liberdade, que anda tão limitada nestes dias atuais.

Vi a planta abraçar a árvore que a sustentou e senti uma saudade gigante das minhas amigas e amigos, de minha família, e torço para que a Luz de Deus elimine do mundo todo o caos e assim a gente possa se enxergar melhor, com mais amor. Temos tempo de transformar e melhorar-nos!

É hora de libertarmos as vidas que nasceram pra liberdade e assim a Luz vai nos libertar aos poucos.

Nada é por acaso.

 

Diego Rbor.

Muito O Que Fazer

Não sei o que dizer, nem escrever. Mas sinto muito…. Leio muito…. E me confronto a todo instante.
Não quero acreditar nas mídias, nem no governo atual brasileiro, que desacredita das mídias. Eu quero acreditar no meu coração mais do que na razão, mas às vezes o meu coração não foi tão solidário como poderia ter sido, aí entra a razão e toma conta.

Tô aprendendo tanto com esse caro corona!

Não imaginava que ele cresceria aqui no Brasil desta maneira, e olha que sou um imaginador competente.

As reflexões amassam o meu coração como um papel que a gente desiste. As notícias da tv amassam o meu eu como quando a gente amassa um papel higiênico… Me sinto um merda quando vejo as notícias!

Eu me achava tão introspectivo, de repente me apavoro por saber que desconhecides estão morrendo. Choro litros. E quando vejo da janela pessoas indo trabalhar em meio ao surto, meu coração falta sair pela boca. Lugares importantes, públicos, como as escolas e bibliotecas fechadas, embaçam a minha visão.

No instagram vi pessoas se divertindo como se estivessem em férias; em meu prédio de cohab vejo as crianças brincando no pátio como sempre fizeram, e seus pais trancafiades em casa, berrando das janelas… Não sei no que acredito, e passa uma vontade de correr pra longe, mas a vontade passa quando percebo que o longe pode ser ainda mais perigoso. Pus muitas plantas da casa na beira da janela e lá reflito minutos, troco com vizinhes informações que me entristecem. Dona Ruth, vizinha de frente, me anima ao pedir a Deus que essa fase estranha passe, para que melhoremos.

O que me resta é voltar para dentro de mim, me acalmar, olhar a casa simples e o meu amor que estuda tranquilamente enquanto o nosso cãozinho dorme numa paz invejável. Neles eu encontro a paz que me segura e transforma aos poucos para ser melhor.

Penso no mundo quando penso em mim. Mas estou me conectando cada vez menos com as redes sociais e tv, embora saiba que é graças a elas que estamos cientes do surto…

Preta Gil é uma lição à parte, gosto de ver o que ela expõe e luta, ela dá força de graça através das palavras. Se algum dia a critiquei, tô engolindo tudo agora, admirando-a de longe.

E tô engolindo mais água, mais meditação, mais alimentos saudáveis, estudos que estavam enrolados e muito ar de aprendizado.

Não sei nem o que dizer, mas sinto muito e vou me cuidar, me resguardar, para cuidar de quem me ama, do presente de ser vivo.

 

P.s.1: Minha mãezinha chegou agora em casa depois de dois meses longe cuidando de sua irmã gêmea que teve um avc. Meu coração alivia pois agora terei uma grande tarefa: cuidar bem desta guerreira que me criou. Que seja Luz.

P.s.2: Editando, aos poucos, um segundo livro de poesias.

diego rbor.

Conexão

Que horas são?

Já?

Me perdi no horário, sei onde estou
Estou em casa, vivendo e recriando a rotina do dentro
Saio pra acompanhar meu dono, o Billy, fazer as suas necessidades e aproveito para observar um pouco do fora, que faz parte do nosso dentro

Há dias não vejo a amável senhora que transitava com seu netinho e o cãozinho beagle dele
A biblioteca está fechada…

Abertos estão apenas os comércios, repletos de filas
As janelas também estão abertas
O céu, o trajeto dos aviões. (moro onde eles fazem a curva)

Estou sem pressa mas empurro o tempo no desejo de que esta fase mundial passe, se possível logo

Enquanto isso leio Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, danço mais, medito, malho e realizo estar em paz pra receber as respostas; me preparar e viver o melhor que a vida está reservando pra gente… Estamos eu e o meu amor em casa
Hoje o almoço ele quem fez

Todos esses dias eu rezo por nós.. todas/os nós!

Vamos nos unir de coração e em pensamento, esquecer o que não nos faz bem
Vamo focar em fazer e ver as coisas boas, curar…

É possível

Com a conexão do amor.

Trans Formação

Enquanto preparava o almoço
Nerinho veio sussurrante me chamar
Era uma borboleta em nosso quarto
Entrou enquanto ele se exercitava
Pairamos na beleza da grande preta
Tão bela, tão livre, toda parada
Na beira da cama ela descansava
Reinando em nossas retinas e pensamentos
Veio afirmar a trans formação……….
Estamos no meio de um caos global
E encontramos na vida a solução

Pensei em pegar o meu livro depressa
Existe uma poesia feita para Vanessas
Antes de eu recitar, ela foi embora
Confirmando que é poesia a qualquer hora
Desde seu nascimento até ser mensagem
Dos anjos valentes que vivem de passagem
A proteger eternamente quem tem fé
O que buscamos no céu está bem no pé
Nós temos asas, são poucos os que vê
Olhamos tanto pra cima querendo voar
Fácil é querer amor. Difícil é saber amar

 

Louco e leal

O pai e a mãe que não entendem a própria cria
perdem muito a toda hora
A cria que não busca compreender o pai e a mãe
perdeu tudo faz tempo

Todos e todas nós erramos, mas
querer permanecer em erros é despreparar os fins
e isto não gera bons recomeços

Poderíamos estar todes melhores, bem evoluídos,
no entanto as mentiras e calúnias nos afastam Continue lendo “Louco e leal”

Conheça as bibliotecas de São Paulo

Um filme de Cris Costa sobre as bibliotecas públicas de São Paulo. Eu participo contando a minha relação histórica com a Erico Verissimo, localizada na minha comunidade, periferia zona noroeste da cidade.

Assista, conheça o trabalho da nossa gente batalhadora que busca um Brasil melhor e digno para todes:

 

Insignificante

O mundo lá fora está cada vez mais seco
Sem tempo para as minhas sensibilidades
Olhares já passam pelo meu corpo invisível
Nem parece que eu faço artes, escrevo, leio
Nem parece que eu amo meu semelhante
Meu sorriso torna suas normalidades caretas
Percebo que minha graça tanto faz como tanto fez
Meus abraços, ontem demorados, hoje ligeiros
Chocam rostos que nem a chuva o chão

Minha kalimba toca a dor do meu coração, Continue lendo “Insignificante”

aceito cartas

hoje eu dei gostoso
um tempo pras redes anti sociais
agora vou poder ler e criar mais
estudar e me resguardar pra vida
que não têm bis, é memória ativa

vou usar e abusar
fazer história pro futuro contar
sou marginal, sou herói
sei o peso da vida e o que me dói Continue lendo “aceito cartas”

O Primeiro Livro Que Me Levou

O primeiro livro que me levou foi O Pequeno Príncipe. Quando criança peguei emprestado na biblioteca pública municipal Erico Verissimo e demorou muito para eu devolver. Tomei multas por isso, mas naquela ocasião eu não me importava, só queria ‘ler’. De tanto andar com o livro a capa detonou e então o ‘ganhei’ de presente.

Eu não sabia ler muito bem… lia com dificuldades e sozinho. Cada letra juntada, palavra lida e frase interpretada causava-me fascínio, junto as imagens daquele pequenino grande pensador, que viveu no Asteroide B-612 com a sua amiga rosa, seus vulcões, conflitos e acontecimentos incríveis… Continue lendo “O Primeiro Livro Que Me Levou”

Teto Sol Ar

Num sol de 34º na fervente São Paulo,
Passando de ônibus na ponte Mutinga,
Da janela observo, logo ali na calçada,
Alguém que dorme totalmente cobertx,
Na única sombra que uma árvore faz; Continue lendo “Teto Sol Ar”